Pode ser um sinal de que Ruby já está passando da linha do agradável em termos de mainstream no geral, ou simplesmente que a Área da Baía tem gente demais ganhando dinheiro com isso pra permitir uma cultura hacker mais isenta (ou pelo menos menos explícita a respeito) de interesses comerciais para o nível de mainstream que ela alcançou. O fato é que, depois de dois encontros de usuários, um do SF Ruby Meetup Group e outro do East Bay Ruby Meetup Group, eu saí bem pouco impressionado.

Cadê o código?

O primeiro encontro foi no QG da NewRelic e teve pouco ou nada de Ruby em si. O CEO apresentou o produto super show de monitoramento de desempenho de aplicações Rails (que foi super impressionante, mas majoritariamente autopromoção, sem quase nenhum conteúdo técnico), e o resto foi caras apresentando coisas que eles fizeram com Ruby, mas sem mostrar nenhum código.

O que chegou mais perto de ganhar o título de “rêiquer” na noite foi a apresentação super bem feita do Jon Crosby sobre o CloudKit, que eu ainda não entendi exatamente o que é, mas parece ser uma versão simplificada do CouchDB. Foi mais um ótimo jeito de ver as maravilhas escondidas do protocolo HTTP, mas mesmo essa não teve nada de Ruby em si.

Eu acho que ter um desfile de demos de aplicações que coincidentemente foram escritas na mesma linguagem de programação, sem referência nenhuma a detalhes de implementação, não configura como algo relevante para apresentar a uma comunidade de desenvolvedores. Se ainda fosse uma biblioteca, um framework ou algo assim, com exemplos reais de código de como alguém poderia usá-lo(a) na sua aplicação, ainda vai. De resto é só autopromoção e desperdício do tempo alheio.

Isso é bem diferente, aparentemente, do que acontece no Seattle.rb onde, além de inventarem um nome show pro “rb” (“Ruby Brigade”), todos os encontros são Open Hacking Nights e a galera realmente parece bombar projetos juntos.

Cadê a cerveja?

O segundo encontro foi um pouco mais técnico, mas foi basicamente o Ezra Zygmuntowicz tirando dúvidas e medos da galera a respeito da fusão do Rails e do Merb. Ainda nenhum código.

Mas a falta mais sentida foi a da socialização. Eu fui a esses encontros mais pra conhecer outros rubistas, bater papo, sair depois e beber. Foi o que aconteceu na RubyConf a que eu fui. Mas aqui o pessoal é bem direto ao ponto. Chega, assiste a palestra e vai embora.

E, pra ser justo, não é só falta de cerveja. No encontro da NewRelic teve cerveja e pizza de graça, e até rolou um socialzinho pequeno antes e depois das palestras, mas nada no estilo GPSL de puxar assunto com gente nova que aparece (o grupo é pequeno, então cada novo integrante é comemorado!) e depois chamar todo mundo pra ir comer, conversar e beber no Gordão.

Conclusão (ou “proposta de intervenção”)

O modelo das Open Hacking Nights parece bem legal. Quando eu voltar pra Barão talvez eu comece a fazer isso na minha casa. Acho que aperitivos (ruffles, etc.), refrigerante, cerveja e wifi são o suficiente pra galera se juntar de quando em quando e hackear coisas. O que não falta lá em casa é espaço, e eu já tenho uns projetos me coçando pra serem escritos :)

Comente

*
*